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Jun302010

Fim de jogo
De repente, o telefone toca. Era Alexandre, o Alê. Diz a Gabriela que não poderia ir  a casa dela assistir ao jogo do Brasil contra Costa do Marfim, porque estava com o braço machucado, assim como o Drogba. Mas que certamente assistiriam a Brasil e Portugal.E realmente ele foi até casa de Gabriela, mas sua presença não contribuiu em nada, assim como Júlio Batista no jogo.
Alê, era extremamente vaidoso, assim como o Cristiano Ronaldo. Ria muito de suas próprias piadas, sempre contava vantagens. Deixava a entender que seria um grande privilégio para Gabriela se começassem a namorar. Sentia-se o rei do mundo,assim como Maradona. Gabriela estava triste, assim como os jogadores da Coreia do Norte. O papo estava chato, assim como os jogos da Suiça. Gabriela queria que o jogo terminasse logo para se ver livre de Alê, que a enganara nos primeiros contatos, parecendo mais divertido do que realmente era, assim como o futebol africano. Tentava conversar sobre um assunto, mas a conversa sempre tomava uma direção inesperada, assim como a Jabulani. Acabou o jogo, nem Brasil nem Portrugal. Jogo ruim, assim como aquele encontro.
Gabriela desconversou e Alê voltou mais cedo pra casa, assim como a Itália. Fim de jogo para Alê.
Gabriela escolheu namorar com Pedro. Ele era meio esquisito, mas parecia que a faria feliz, assim como Dunga.


Admin · 149 vistos · 3 comentários
Jun182010

Primeiro passo
Pedro, o introvertido, era o único que não estava de verde e amarelo. Estava de cinza. Gabriela o recebeu com um sorriso. Ele levou um livro. "É que o jogo sempre fica chato no segundo tempo" explicou ele. Gabriela e Pedro conversaram amenidades.
- O que é impedimento?
-É quando o jogador recebe a bola na frente do último jogador adversário, explicou Gabriela.
-Eu já te mostrei minha vuvuzela?, perguntou ela.
-Você não acha muito cedo pra termos uma conversa tão íntima? disse um ruborizado Pedro.
Pedro e Dunga têm muito o que aprender sobre futebol. Mas Gabriela ficou otimista. Com Pedro, não com Dunga. Ele, diferente de todos os outros homens na sala, se preocupou mais com uma garota do que com o jogo. Assim, como Michael, Pedro terminou bem a primeira rodada. Assim como  quem assistiu ao jogo, Gabriela ficou com a impressão de que muitas emoções ainda nos esperam. Que venha a Costa do Marfim. Que venha o segundo pretendente.

Admin · 108 vistos · 2 comentários
Jun132010

Paixão nacional

Ela era indecisa. Cara ou coroa e par ou ímpar poderiam durar mais do que a escolha do vice do Serra.
Conhecera dois rapazes (ela, não o Serra). Um era esportista, gostava de viajar, tinha uma tatuagem escrita: joven forever( segundo ele, o tatuador não dominava bem nosso idioma),era simpático e na faculdade, quando lhe pediram para ler O Príncipe, achou o livro muito grande e resolveu ler outro que parecia mais resumido, O pequeno príncipe.
Já o outro rapaz era sedentário, odiava praia e campo, introvertido, leitor compulsivo e não faz a mínima ideia de quem seja Byoncé.

Ela estava em dúvida com qual deveria começar a namorar( nossa protagonista, não a Byonce). Pensou em pedir ajuda celeste, porém o contato mais próximo com algo religioso é o Papa Nicolau. Consultou duas amigas. Cada uma escolheu um diferente. E agora? Consultou um amigo. Ele foi direto:

- Eles gostam de futebol?

-Sim, acho que sim...

- Então faz o seguinte: Assista aos jogos do Brasil com eles. Cada jogo com um, claro. Você conhece mais sobre um homem vendo ele torcer pra seleção do que qualquer terapia pode revelar. Seja minunciosa. Estude cada reação. Esqueça o jogo. Seu objetivo é encontrar o par perfeito.

Ela aceitou a proposta do amigo. Já marcou com um deles na terça. Haja coração!

Acompanhe aqui o resultado (do encontro, não do jogo)

 

 

 


Admin · 122 vistos · 4 comentários
Jun042010

Escrevo o que penso
Ele era uma pessoa muito difícil de se conviver. O correto é de conviver ou de se conviver? Antes de publicar eu reviso. Ninguém gostava de estar junto dele. Essa frase ficou redundante. Se ele era difícil, é óbvio que ninguém queria estar perto dele. Será que eu paguei a conta de luz este mês? Não estou lembrado. Quando terminar esse texto vou conferir.
Seu jeito era muito arrogante, sempre estava com a razão. Ter amizade com ele era tão difícil quanto abraçar um porco-espinho. Metáfora gasta. Precisava de algo mais criativo. Talvez: era tão difícil quanto torcer para Argentina na copa. Péssimo. Não há nada mais clichê do que fazer piadas com argentinos. Onde está minha camisa branca? Será que está pra lavar? Ontem procurei na minha gaveta e não a encontrei. Ele era tâo difícil quanto arrumar uma metáfora criativa. Santa metalinguagem. Ele se bastava. Ninguém era bom o suficiente para lidar com ele. Não vou mais em Campos de Jordão em feriado. Todo mundo teve a mesma ideia. Fila pra tudo. Mas no fundo, ele era carente. Sua prepotência era um pedido de socorro, de quem quer atenção. Psicologia barata. Como podem vender um chocolate por um preço tão alto? Seria mais barato ir para a Bélgica. A pior vez foi quando ele menosprezou um estagiário. Chamou de medíocre e sem futuro. Só não sabia que que ele era filho do presidente. Foi advertido. Teve que engolir calado. Acho que o Daniel Alves deveria ser titular. Cadê minha camisa?

Admin · 115 vistos · 3 comentários
Maio242010

O mágico
O sonho dele era ser mágico. Imaginava-se tranformando o carro velho do pai em uma nave espacial que não precisaria ser empurrada pelos vizinhos para funcionar, o skate em uma prancha voadora e a irmã menor em um robô que não chorava nem pedia pra sair com os irmãos mais velhos.
Na escola, sonhava em transformar as aulas de química e matemática em aulas sobre futebol e música. No recreio, tentava transformar o pão com manteiga levado de casa em um hambúrguer vendido na cantina.
No caminho pra casa, à pé, tentava transformar seu kichute remendado em um super tênis que era mais veloz que a bicicleta de seus amigos.
O oficial de justiça falando em despejo virava um divertido dono de circo propondo que a trupe mudasse para alegrar pessoas de outros bairros.
A briga dos pais, com o poder mágico de seu condão, era uma valsa dançada por um casal apaixonado.
Ele cresceu, está cada vez mais atarefado, cada vez mais objetivo, cada vez mais racional, cada vez menos mágico. Sua prancha voadora está à espera de seu antigo e verdadeiro dono.

Admin · 139 vistos · 3 comentários

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